Santos, Leituras e Reflexões na tradição de Hipona
"Nos fizeste para Ti, Senhor, e nosso coração fica inquieto
enquanto não repousa em Vós."
Agostinho nasceu em Tagaste, na África do Norte, em 354. Após uma juventude marcada pela busca inquieta da verdade, converteu-se ao Cristianismo em Milão, em 387, profundamente influenciado pela pregação de Santo Ambrósio e pelas Confissões de sua própria alma. Tornou-se Bispo de Hipona, onde viveu até sua morte em 430. Seus escritos — entre eles as Confissões e A Cidade de Deus — são pilares da espiritualidade e teologia cristã.
"Naqueles dias, o homem saiu em direção ao oriente com um cordel na mão; mediu mil côvados e me fez atravessar as águas: a água ia até os tornozelos. Mediu outros mil e me fez atravessar: a água ia até os joelhos. Mediu outros mil e me fez atravessar: a água ia até os rins. Mediu outros mil: era um rio que eu não podia atravessar, pois as águas tinham crescido tanto que se tornaram profundas demais para nadar: era um rio que não se podia atravessar a vau."
"Há um rio cujos braços alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela, ela não vacilará; Deus a socorrerá ao raiar da manhã."
Refrão: O Senhor dos exércitos está conosco; nosso refúgio é o Deus de Jacó.
"Havia em Jerusalém, junto à Porta das Ovelhas, uma piscina, chamada em hebraico Betesda, que tinha cinco pórticos. Neles se deitava uma multidão de doentes, cegos, coxos, paralíticos. Havia ali um homem enfermo desde havia trinta e oito anos. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que já havia muito tempo naquele estado, perguntou-lhe: 'Queres ficar curado?' Respondeu-lhe o enfermo: 'Senhor, não tenho ninguém que me coloque na piscina quando a água é agitada; enquanto eu vou, outro desce antes de mim.' Jesus disse-lhe: 'Levanta-te, pega a tua maca e anda.' Imediatamente o homem ficou curado, pegou a sua maca e andou."
No encontro de Jesus com o paralítico de Betesda, vemos o coração da espiritualidade agostiniana: a busca pelo ser humano enfermo, incapaz de chegar sozinho à fonte de cura. Agostinho nos ensina que a graça precede todo esforço humano. Não somos nós que vamos até Deus — é Ele que vem ao nosso encontro, pergunta-nos com ternura: "Queres ficar curado?"
A resposta do paralítico revela nossa condição: não temos ninguém que nos ajude. E é exatamente aí que Cristo age. Ele não espera nossa perfeição, não exige que tenhamos chegado até Ele. Ele nos encontra onde estamos — deitados, há trinta e oito anos, na margem da espera.
Que esta Quaresma seja para nós esse momento: deixar que o Senhor nos pergunte, responder com honestidade, e levantar pela força que não vem de nós, mas d'Ele.
"Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei!"
Ative as notificações e receba os Santos, Leituras e Reflexões Agostinianas todas as manhãs.
Este espaço é dedicado à vivência litúrgica na espiritualidade da Ordem de Santo Agostinho. Aqui você encontra diariamente os Santos Agostinianos, as Leituras da Missa e uma Reflexão fundamentada no pensamento de Agostinho de Hipona.
A espiritualidade agostiniana é marcada pela busca incansável de Deus, pela vida em comunidade e pelo amor à Sagrada Escritura. Que esta página seja, para você, uma pequena fonte de água viva no cotidiano.